HOME SOBRE CONTATO (19) 3295-0381
Psicoterapia
Psicoterapia em Campinas

Apesar de nossa relutância em dizer ao outro quem somos, há em cada um de nós um profundo desejo de ser compreendido. Está claro que todos queremos ardentemente ser amados; mas quando não somos compreendidos por aqueles cujo amor desejamos e necessitamos, torna-se difícil e desconfortável qualquer tipo de comunicação profunda. Isso não nos engrandece nem nos estimula. Torna-se evidente que ninguém pode nos amar de maneira efetiva sem nos compreender.

Se ninguém me compreende, nem me aceita como sou, vou me sentir alienado, e mesmo em meio a muitas pessoas, vou carregar um sentimento de isolamento e solidão.

Há muitas coisas dentro de nós que gostaríamos de compartilhar. Todos nós temos nosso passado secreto, nossas vergonhas ocultas, nossos sonhos desfeitos, nossas esperanças jamais reveladas. Diante da necessidade e do desejo de compartilhar esses segredos e de ser compreendidos, cada um deve avaliar seu medo e o risco que esta correndo. Quaisquer que sejam meus segredos, parecem ser minha parte mais profunda e única, mais do que qualquer outra coisa.

Ninguém jamais fez exatamente as mesmas coisas que eu fiz, ninguém jamais pensou ou sonhou o que sonhei. Nem mesmo estou certo de poder encontrar as palavras para compartilhar essas coisas com outra pessoa; não estou certo de como vão soar para ela.

A pessoa com uma boa auto-imagem, que se aceita verdadeiramente, poderá resolver melhor esse dilema. É pouco provável, no entanto, que alguém que nunca tenha compartilhado seu mundo possa construir a base de uma boa auto-imagem.

A maioria de nós viveu coisas, experimentou sensações e sentimentos que jamais se atreveria a contar para ninguém. A outra pessoa pode pensar que estou errado, ou que sou mau, ridículo ou presunçoso. Toda a minha vida pode parecer um grande engodo.

Milhares de medos nos prendem no confinamento solitário da alienação. Geralmente, antecipamos a dor profunda de vermos nosso segredo recebido com apatia, incompreensão, espanto, raiva ou zombaria. Meu confidente pode ficar com raiva ou revelar meu segredo a pessoas a quem eu não pretendia revela-lo.

Pode ser que, em algum momento da minha vida, eu tenha exposto uma parte minha diante dos olhos de outra pessoa. Pode ser que ela não tenha entendido e me refugiei cheio de mágoa numa dolorosa solidão.

Ainda assim, em outros momentos alguém pode ter escutado meu segredo e aceito minha confidência gentilmente. Posso até me lembrar do que a pessoa disse para me encorajar e a compaixão em sua voz, o olhar de compreensão em seus olhos. Posso me lembrar da expressão daquele olhar; de como sua mão tocou a minha, do leve toque a me dizer que eu tinha sido compreendido.

Foi uma experiência significativa e libertadora e, quando terminou, senti-me como se estivesse mais vivo. Uma necessidade imensa foi atendida dentro de mim - ser realmente escutado, levado a sério e compreendido.

É apenas compartilhando seu mundo que a pessoa chega a se conhecer.

José Carlos Vilhena é Psicólogo Clinico em Campinas.

Voltar